Existem histórias de amor que começam com flores, e existem aquelas que começam com uma guerra. Ao trazer Rocco para a nossa estante do Nosso Segredo, fui movida pela visceralidade com que Manuele Cruz explora a linha tênue entre o ódio e a obsessão. Este não é um romance para corações fracos; é para quem entende que, às vezes, a salvação vem na forma de um homem que todos os outros temem.
Beatrice Sorrentino tocou meu coração profundamente. Rotulada como a “princesa depressiva” e descartada pela própria família, ela conhece a dor do silêncio forçado. A narrativa nos leva ao momento angustiante em que ela é trancafiada em uma clínica psiquiátrica, dopada e esquecida. É um cenário de desamparo absoluto, onde a luz parece ter se extinguido.
E é aí que entra Rocco Martini. Ele e Beatrice cresceram se odiando — ou assim eles pensavam. O que me fascina na construção deste personagem é que Rocco não é o herói convencional; ele é frio, letal e foi criado para suceder o poder. Mas quando percebe que a única mulher capaz de desafiá-lo foi quebrada, a máscara do ódio cai, revelando uma possessividade avassaladora.
Selecionei este livro porque ele ressignifica o conceito de “proteção”. Ver Rocco iniciar uma verdadeira guerra contra quem feriu Beatrice é, de uma forma distorcida e bela, a maior declaração de amor que ele poderia fazer. É um Dark Romance sobre encontrar família onde menos se espera e sobre como, nas mãos certas, até as nossas ruínas podem ser reconstruídas.














